
A cultura voltará a ser do POVO!
Manifesto do Movimento Arte para Todos

Ponto de partida
Olhamos para nossa cidade e vemos muros cinzas. Vemos a arte trancada em galerias silenciosas, com preços que afastam e códigos que intimidam. Vemos o talento dos nossos artistas lutando por um espaço de visibilidade, enquanto a rotina diária do nosso povo passa longe da inspiração. A arte foi tratada como um artigo de luxo, um objeto para poucos.
E agora, a estes muros de concreto, somam-se os muros invisíveis dos algoritmos. Vemos uma onda de automatização fria que busca transformar a arte em mais um produto, otimizando processos que visam o lucro e descartam a alma. Nós vemos a ameaça de desumanizar a arte, em detrimento de sua função mais pura, que é e sempre será, uma extensão do espírito humano. Nós dizemos: basta.

A Convicção
Nós acreditamos que a arte não é um luxo. É um direito. Uma necessidade. A expressão mais pura da alma de um povo e o espelho da sua identidade. Acreditamos que a arte pertence à rua, ao ônibus, à conversa na praça, ao olhar da criança. Ela não foi feita para ser um sussurro em corredores vazios, mas um grito que ecoa por toda a cidade.
E por ser este grito, ela é exclusivamente humana. A história nos ensina que a manifestação artística é o marco civilizacional que define a evolução de uma espécie. É o primeiro traço de carvão na parede de uma caverna, o ponto exato onde nos tornamos mais do que meros sobreviventes e passamos a ser contadores de histórias, sonhadores, criadores. Renunciar à humanidade da arte em nome do lucro ou da eficiência é renunciar à nossa própria espécie. E isso, nós não vamos permitir.

A Visão
Mas nós não estamos aqui apenas para denunciar os muros. Estamos aqui para construir pontes.
Nossa visão é uma Florianópolis que redescobriu suas cores e sua alma.
Onde o cinza da especulação imobiliária, que ergue barreiras de concreto entre o povo e o mar, é desafiado pelo mural que conta a nossa história em cada fachada. Uma cidade que entende que o valor de um espaço não está no metro quadrado vendido, mas na identidade que ele abriga e na memória que ele preserva.
Onde o trajeto impessoal e cronometrado, ditado pelas catracas dos cartéis do transporte, se transforma em uma galeria em movimento, uma pausa inesperada para a reflexão e a beleza. Uma prova diária de que o tempo do cidadão vale mais do que o lucro de poucos.
E onde o trator do apagamento histórico e filosófico ameaça derrubar o passado para erguer futuros genéricos, nós respondemos com uma arte que grita os nomes de nossos pescadores, nossas bruxas, nosso povo originário; Uma arte que, por resgatar a memória, ousa questionar o próprio nome que carregamos — homenagem a um marechal, imposto como castigo sobre o sangue dos nossos.
Uma arte que nos faz lembrar de um Desterro que, para o artista e o pensador, talvez nunca tenha acabado. E que, ao ir ainda mais fundo, nos faz sonhar com o resgate do nome que cantava antes de todos os outros: Meiembipe. Pois um povo que não conhece a origem de seu chão, jamais será dono de seu futuro.
Por fim, uma arte que não apenas decora, mas questiona: quem somos nós nesta Ilha? E para onde estamos deixando que nos levem?
Esta é a nossa promessa: usar a criatividade como arma e a beleza como trincheira. Onde tentarem apagar, nós pintaremos por cima. Onde tentarem silenciar, nossa arte vai gritar.
A cultura, enfim, vai reconquistar a cidade.

Os Pilares
Esta não é uma utopia, nem um sonho distante e inocente. É um plano complexo em movimento. Para transformar nossa visão em realidade, nosso movimento se ergue sobre quatro pilares sólidos, quatro ações diretas que começarão a mudar a paisagem cultural da nossa cidade:
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A Arte nas Ruas: Nossas Telas são a Cidade.
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"Vamos levar a arte para onde o povo está. Usaremos os muros cinzas, os ônibus e os espaços públicos como nossas galerias, quebrando a barreira entre o artista e o cotidiano, transformando a rotina em um ato de descoberta.
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Acreditamos que todos somos artistas, cada um de nós, que fazemos parte do acordo comum de construção e idealização de nossa metrópole. Nada mais justo, do que agraciar aqueles que são os verdadeiros donos da cultura e da própria cidade, O POVO."
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As Galerias Abertas: Santuários da Criação Livre.
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"Vamos criar e fomentar espaços de exposição verdadeiramente democráticos. Santuários para a vanguarda, sem catracas, sem preços, sem códigos de vestimenta. Lugares onde a comunidade e os artistas se encontram e o diálogo acontece. Um lugar onde todos se sentirão donos e pertencentes."
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As Bibliotecas Vivas: Sementes para Novos Criadores.
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"Vamos democratizar o conhecimento. Construiremos acervos abertos e vivos, oferecendo não apenas livros, mas oficinas e debates. Daremos as ferramentas para que a próxima geração de artistas possa florescer aqui mesmo. E que isso não seja visto como um favor ou uma promessa política, mas como um direito de todo cidadão. Que sejamos a referência para uma visão de nação"
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O Ponto de Encontro: O Coração Físico do Movimento.
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"Vamos lutar para erguer o símbolo físico da nossa revolução cultural. Um grande centro de vanguarda, projetado para ser o coração pulsante da nossa comunidade artística e cultural, um lugar que grite para o mundo que Florianópolis escolheu o caminho de respeito à arte, à memória e à cultura."
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O Chamado
Este manifesto não tem um ponto final.
Ele Inicia com a sua participação.
Se você é artista, designer, arquiteto, músico ou poeta e se recusa a criar para paredes vazias, junte-se a nós.
Este movimento é o seu palco.
Se você é cidadão, estudante, trabalhador, morador desta Ilha e está cansado do cinza, da indiferença e do apagamento da nossa identidade, junte-se a nós.
Este movimento é a sua voz.
Não pedimos que você apenas concorde. Pedimos que você aja.
Compartilhe este manifesto. Siga nossas ações. Participe dos nossos debates. Ocupe os espaços. Reivindique o seu direito à beleza, à memória, ao planejamento, e que o centro de tudo isso, seja você, Cidadão.
A hora de reconquistar a cultura da nossa cidade é agora.
E nós, só podemos, fazer isso juntos.
Robson Jorge de Matos
Artista e Fundador do Movimento Arte para Todos